Un soplo en el corazón

 

Alguien, entre los que se deleitan leyéndome, escribió diciendo que tengo un gran corazón.

“Debe ser porque dentro de él hay un artificio resoplando”, respondió alguna cosa en mi mente, que nunca pierde la oportunidad de jugar con las palabras.

Porque aquello me recordó cierta ocasión, durante mi adolescencia, cuando un médico, examinándome,  afirmó al final que todo estaba bien. “Sólo tienes un soplo en el corazón”. Recuerdo que no estaba oyendo lo que decía, ocupada en abotonarme la blusa y librarme de aquel examen que me ruborizaba, pero en ese instante hasta quedé inmóvil:

- “¿Un soplo?”

-“Sí. Nada grave.”

Dejé de oir lo que decía. No sé exactamente lo que significa eso. ¡Ya en aquella época era así … tonta, una pescadora de palabras!

Me encantó oir eso. “Tienes un soplo en el corazón” Y me detuve a imaginar… un soplo en el corazón. Alguien, quién sabe, tal vez Dios, soplando dentro de mi corazón. ¡Ese mismo corazón atrevido y tan volcado fuera de sí que hasta consigue sentir en braille!

Ese corazón con su máquina que resopla, casi movido por un soplido alocado, que vive queriendo saltar de mi pecho y rebotar  en las manos de quien las extienda, sean quienes fueran los dueños de ellas: hombres, mujeres, niños…

Este corazón que se ha vuelto popular últimamente, sólo porque unas canciones tontas lo despertaron y lo hicieron palpitar deseando cariño. ¡Tonto! ¡Te vas a quedar con las ganas! Estoy demasiado ocupada ahora para prestarte atención. ¡Y menos podría dejar a alguien acercarse tanto! ¡Pero insiste el muy inflado! Está inquieto dentro de la blusa. Continúa provocándome sensaciones, enviando mensajitos a traves de mi cuerpo, liberando hormonas y deseos, causando revoluciones completas. Y gritando (justo él, que sólo es un músculo) a todo pulmón… canciones de amor.

Ni oigo, finjo que estoy muerta (como diría un amigo). Hago de cuenta que ni siento. Sin embargo sólo él sabe todo cuanto siento, cuanto estoy viva.

Pero voy a cerrar la blusa. A esconder ese corazón torpe, tonto, que se vuelca hacia fuera. Nadie tiene que saber que soy sentimental. Una tonta que cree en el amor.

Voy a pegar una calcomanía en el vidrio, de ésas que dicen: “Yo creo en duendes”. Es más fácil, más imposible, y no asusta a nadie.

Cuando alguien me hable de amor, prometo sólo responder con monosílabos. Vagos “¡hum, hum!”, que no dicen nada. ¡Así no asusto a nadie! ¡Ni expongo ese corazón bobo y alucinado! Que no sabe cuanto puede parecer amenazante. Él, al que no le gustan los amores tibios, no sabe que la mayoría de las personas no quiere quemarse. ¡Y este corazón arde! ¡Quema incluso, no sabe controlarse… no quiere controlarse!

Y no estoy con paciencia para intermediar en esos desencuentros; de un lado mi corazón exagerado… del otro amores cobardes, que se asustan hasta con un simple estornudo de amor, y huyen corriendo temerosos de infectarse.

 

                                                         Rosana Schiavinoto

                                                Traducción: Gustavo Soppelsa

:: Postado por Rosana Schiavinoto às 20h23
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15/02/2005 24:01 - publicado por Rosana Schiavinoto  [ Alterar ]   [ Excluir ]  

Sopro no coração

 

Um desses encantados que me lêem escreveu para mim dizendo que tenho um grande coração.

“Deve ser por que ele é assoprado!” respondeu alguma coisa na minha mente que nunca perde a oportunidade de brincar com as palavras.

É que isso me fez lembrar certa ocasião,na adolescência, quando  um médico me examinando afirmou ao final, que estava tudo bem comigo. “Você só tem um sopro no coração”

Lembro que eu nem estava ouvindo o que ele dizia, ocupada em abotoar a blusa e me livrar daquele exame que me deixava ruborizada;mas nesse instante até parei:

-Um sopro!?

- É..nada grave!

Deixei de ouvir o que ele dizia. Nem sei exatamente o que significa isso. Já naquela época eu era assim...tonta, uma pescadora de palavras!

Adorei ouvir isso. “Você tem um sopro no coração!” E fiquei imaginando... um sopro no coração. Alguém, quem sabe Deus, assoprando meu coração.

Esse mesmo coração  atrevido e tão saliente que até dá para sentir em braile!

Esse coração assoprado, bastante aloprado que vive querendo saltar do meu peito e pular nas mãos de quem estender, seja o dono das mãos, homem, mulher, criança,et...

Esse coração que anda famosinho ultimamente, só porque umas músicas bobas o despertaram e o fizeram bater  querendo carinhos. Tonto...vai ficar querendo!Estou ocupada demais para lhe dar atenção agora. Quanto menos deixar alguém chegar tão perto!

Ele insiste, esse inflado! Mal sossega dentro da blusa. Fica me provocando sensações, mandando recadinhos pelo meu corpo, liberando hormônios e desejos, causando revoluções inteiras . E a gritar  (e justo ele que só é músculo) a plenos pulmões...músicas  de amor.

Nem  ouço, me finjo de morta (como diria um amigo). Faço de conta que nem sinto. Embora só ele saiba o quanto sinto, o quanto estou viva!

Mas vou fechar a blusa. Esconder esse coração estabanado, tonto e saliente. Ninguém precisa saber que sou sentimental. Uma tonta que acredita em amor.

Vou colar um adesivo no vidro, desses que dizem: “Eu acredito em duendes”. É mais fácil, mais impossível e não assusta ninguém.

Quando alguém falar em amor,prometo só responder em monossílabos. Vagos “hum!hum!” que não dizem nada. Assim não assusto ninguém! Nem exponho esse coração bobo e alucinado! Que não sabe o quanto pode parecer assustador. Ele que não gosta de amores mornos, não sabe que a maioria das pessoas não quer se queimar. E esse coração arde! Queima mesmo, não sabe ser controlar...não quer se controlar!

E eu não estou com paciência para intermediar esses aflitos; de um lado meu coração exagerado...do outro amores covardes, que se assustam até com um simples espirro de amor, e fogem correndo com medo de se infectar.

  [ 6 comentários aprovados]

:: Postado por Rosana Schiavinoto às 08h19
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Amar é perigoso, claro! Exige que as pessoas cresçam, se descubram, se entreguem e se ganhem. Amar dá medo! É assustador. Mais confortável é ficar assim, na ante sala das sensações, na beirada da paixão...brincando de amar, molhando os pés nas lavas só para sentir esse calorzinho subindo pelo corpo, despertando tudo. Medo mesmo é de mergulhar. Que perigo!

Claro que o medo de amar é estúpido, coisa de gente pequena.

E que canseira me dá gente covarde.  Mas está decidido! Eu própria ,  vou ficar assim,  bem covardezinha. Quando alguém falar em amor, vou divagar. Nem quero saber o tamanho da sua alma.

Vou parar de escrever sobre o amor, sobre músicas e poesia. Vamos falar de política, do câmbio monetário, sobre a camada de ozônio, da fome....não, não a fome de amor! Essa não dá para resolver com um plano de governo!

Vamos falar de coisas mais  eruditas.

Vou fingir que não sinto; que as músicas não me tocam; que não existe dentro de mim um coração canhestro se redescobrindo mais ousado do que nunca.

Vou fechar a blusa. Nem decote usarei. Guardarei os vestidos só para não me sentir muito feminina. Vou me fingir assexuada, assim ninguém me olhará e disfarçarei quando alguém me fizer tremer.

Assim garanto que ninguém terá medo de mim!

E vou continuar com esse louco, escondido no peito. E em segredo, às vezes, darei uma olhada ao redor  tentando imaginar...quem terá soprado meu coração?!?

  [ 2 comentários aprovados]

:: Postado por Rosana Schiavinoto às 00h27
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:: Postado por Rosana Schiavinoto às 23h28
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Quem sou...?!! Isso soa tão definitvo que nunca condiria com a realidade de um espírito em mutação. Deixarei então essa resposta para um póstumo epitáfio. No momento, posso apenas emprestar o fio de Ariadine para que não se percam tanto em meus labirintos.
Não encontrarão nenhum Minotauro...mas há uma alma antiquíssima que me habita e move, e um espírito que se esforça em me ater entre o céu e a terra.
Sim confesso...estou mais lá do que cá, daí minha etérea maneira de levitar com os pés no chão. Deve ser por isso que gosto de deitar na terra, sentir suas entranhas, seu cheiro e experimentar, então, minha própria humanidade.
Nas paredes da minha alma existem hieróglifos que eu mesmo ainda tento decifrar. Nas minhas mãos desastres, amores e vida se entrelaçam num emaranhado que me fascina e vai aos poucos se desenrolando como num filme que vejo passar.
Meus sentimentos são tão fundos e abismais que se fundiram e já nem sei se rio porque estou cansada demais de sofrer ou se choro porque a felicidade explode em cascatas de emoção.
Acredito em Deus mas vivo desafiando-O, em altos brados e blasfêmias que acabarão um dia por me aniquilar se Ele perder a paciência com meus tantos por quês??? No entanto, temos um pacto. Ele me deixa gritar por respostas até que meu coração exausto e afônico pousa em Suas mãos e adormece recuperando o fôlego e a esperança.
Já tive pressa de amar até que aprendi que o amor já está aqui e é eterno. Quem eu amar é que passará ou passarinhará comigo se quiser ficar e voar.
Já tive um ninho.Nele nasceu um sol que ilumina minha vida e faz de mim a mais rica das criaturas. Esse sol vivo tem o hálito doce que sopra alento quando a vida fica sufocante. A primeira vez que ouvi seu coração rufando como um furacão não sabia que ela mudaria para sempre minha própria vida. Multifacetada como um diamante, me fascina com seus múltiplos talentos e então percebo nela as respostas que cobrei de Deus.
É...sou doente do pé. Não sei dançar, mas acho que é porque minha alma é bailarina e vive dançando num éter que só eu consigo vislumbrar; daí os pés paralizados. Jamais conseguiriam se mover nessa dança eterna da minh’alma....
Sou feita de um silêncio ambíguo; tanto mais profundo quanto mais vozes me habitarem.. Vozes que contam histórias que meus dedos traduzem.
Preciso da noite e seu silêncio eloqüente que conta todas as histórias do mundo.
Preciso do sol para me fazer dormir e ter sonhos iluminados e quentes.
Preciso da terra para saber que ainda estou aqui.
Preciso amar para não morrer...E mesmo sabendo que morro um pouco em cada amor que acaba, experimento a magia de renascer como uma fênix em outro fogo, um novo amor.
E assim a vida acontece até o dia em que enfim, alguém poderá dizer quem fui.

:: Postado por Rosana Schiavinoto às 23h25
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Sobre ciúmes e amor!!!
Acabaram de me fazer uma daquelas perguntas difíceis de responder...O que vc
acha?
O que eu acho? O que importa minha opinião???
Quem perguntou tem visto a vida com os olhos vesgos de paixão. Tudo parece
ter uma dimensão estranha quando se está apaixonado. Ficamos com visão
dupla...as cores se transformam, as formas se metamorfoseam e a vida fica
centuplicada em tudo...no prazer e na dor principalmente.Os sentidos
entontecidos já não servem de referência para quem está apaixonado. A
razão...que estupidez falar em razão com alguém que pensa com um coração
chagado de amor...mordido de paixão, inchado de sensações.  O olfato
enlouquecido não distingue nada que não seja o cheiro do outro na própria
pele, impregnado. O paladar...só o gosto do outro sacia.
Bobagem pedir minha opinião.
Quem ama não quer saber...não se interessa pela realidade, nem pelos fatos.
Quem ama assim, nos primórdios de uma paixão nova não quer sequer saber o
que o outro pensa...só quer que ele, o outro, sua parte desapartada se
mova...e de preferência para perto, muito perto. Tão perto que toda confusão
do ciúmes e da insegurança desse amor novo e desconhecido se desfaça quando
os dois se fundirem novamente...
O que eu acho? Para quem pediu minha opinião...e mesmo para quem não está
entendendo nada... o que eu acho  é que a vida fica maior quando se ama. Que
amar é um privilégio e deve ser exercido, exigido, desfrutado, saboreado e
tudo o mais. E que se amar é tão divino...no mínimo deveriamos nos lembrar
sempre de deixar de sermos tão humanos, tão pequenos nessa condição e
sublevar a alma. Deixar os pequenos medos no chão e fazer os grandes medos
de escada para um vôo mais alto...
Se quer minha opinião....deveríamos pensar menos e amar mais.
 

:: Postado por Rosana Schiavinoto às 16h05
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Ah, hoje não!

>Não quero brigar. Não!Nem  quero discutir filosofia, psicologia, nenhuma ia....nem mesmo poesia.
>Vi uma beija flôr chocando seus ovos, em um ninho que cabia na palma da minha mão. Ela o fez numa improvável luminária.Impossível casa que equilibra sua vida.
>Quieta, e atenta ela observa o mundo!
>Se ela consegue desacelerar o coração e esperar a vida acontecer a seu tempo...então a paz tem mesmo uma grande chance de acontecer em cada coração também. Vagar um lugar qualquer na aflição da vida, deixar a paz inundar a alma.
>Juro, hoje não brigo nem se alguém implorar.
>Minha boca está cheia de beijos, e os dedos enroscam-se no teclado, abarrotados de carinhos tronxos.
>Dia de enroscar almas, ver a vida acontecer!
>Aproveitar o final de semana para encontrar mais milagres pelo caminho.
>Beijos
>

:: Postado por Rosana Schiavinoto às 16h03
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Como o poeta, sou do tipo que lê até bula de remédio; e numa dessas leituras insólitas descobri uma pesquisa científica que ousava dizer que o coração é um orgão capaz de se regenerar( claro, numa proporção mínima, caso contrário não explodiria tão fácil). Enfim,esse músculo que bombeia vida pode se recuperar de pequenas fissuras.
Toda palavra em mim forma fantásticas figuras de linguagem, daí talvez a maldição de escrever. Fiquei imaginando um coração assim, corrompido; suas fibras rasgadas...o pulsar se tornando quase um sussurro, como se ele quisesse se passar despercebido para que não o machuquem mais; e nessa semi inercia ele se restaurando,tecendo novas fibras...dessa vez talvez mais flexíveis( de aço cirurgíco? Não, fibras inomináveis, inventadas de acordo com a dor ou amor de cada um). E então ele se refaz, ousa até a bater mais forte quando alguém chega mais perto para admirar essa estranha trama que foi tecida.
Mais forte, ele se sente agora poderoso,capaz de amar melhor? Talvez...Sim, acho que vai amar mais...; mais intensamente, mas não sei se melhor. Correrá cada vez mais risco de cair em mãos desastradas ou amará almas que não possam ir tão fundo porque elas não se machucaram tanto, nem tem o coração assim, tramado em fibras inventadas. Ou, talvez ame um coração ainda rasgado, que acabou de ter suas próprias fibras violentadas por um desamor qualquer, e conseqüentemente, esse coração ainda dolorido tem medo de bater.
Sim, amará mais intensamente porque agora suas fibras rompidas permitiram que ele ouse além dele mesmo, e nessa fascinante descoberta ele sempre ousará até o limite...ousará até romper os limites, rasgar mais fibras e tentar ser um dia um coração que não seja mais só um musculo.
Nesse dia, então, verá a magia acontecer. Essa trama flexível em que seu coração foi restaurado permitirá a magia: nesse dia ele inteiro será todo sentimento!!!

:: Postado por Rosana Schiavinoto às 15h59
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A vida que a morte anda tendo!

 

O telefone tocou, trouxe uma voz a quilômetros de distância.

Não estava sorrindo, aquela voz cansada viu a morte e ficou assim, baixa, com o peso da vida interrompida desafinando sua vivacidade.  No dia interior tinha visto duas vidas nascerem...e isso deve ser fantástico, lindo! Mas morte...sua cara bruta...deve ser ...

Não posso imaginar como seja. A cara bruta da morte nunca cheguei a ver. Já tive alguém morrendo em meus braços, o peito perfurado, a vida vazando.... os olhos me fitando assustados. Mas o tomaram dos meus  braços e o levaram para morrer á caminho do hospital. Não vi a cara bruta da morte naquele dia.

Também não vi na de meu pai. Não consegui sequer enterrá-lo. Fiquei observando de longe...um mundo soterrado, lembranças esquecidas.

Ele a vê, tem a morte espreitando nos corredores dos hospitais. Pairando mórbida e pesada, como uma sombra invisível.

Queria ter podido afastar o gosto amargo que ela deve ter deixado na sua boca. Queria ter feito carinhos até  coração esquentar de novo e ele então, aliviado pudesse dormir em paz. Sabendo que a morte é só o lado avesso da vida e que nem sabemos se ela é bruta mesmo ou só um lado entortado da vida. Como o yin e yang que ele traz tatuado.

A morte...

A vida...

Esse mistério!

Melhor me calar. Não há nada mais a dizer.

Embalo meus livros em caixas. Outra mudança...mais uma das inúmeras que virão.

E quem sabe a cada dia eu vá me bastando mais até que, como Gandhi, um manto me baste. Doarei os livros às bibliotecas públicas e todos partilharão comigo mundos e vidas. 

Os quadros estarão em galerias e paredes de outras casas monstrando o que quiserem ver.

Por enquanto outra vida está entrelaçada á minha e precisa de um lar...dos brinquedos espalhados pela casa. Dos livros susurrando histórias e segredos. Das suas tintas a colorir o mundo...

Vou dar lugar à minha pequena arquiteta e deixá-la se divertir com design, projetando casas e formando famílias inteiras no computador, enquanto termino de encaixotar a vida.

Ela trouxe um sanduíche de frutas e pão de passas. Sofisticada gourmet!

E eu, a mãe desnaturada que esqueceu completamente de fazer o almoço, cedo o lugar diante do teclado e vou lá fora, ver o que a vida está aprontando sob essa chuva torrencial. Claro que tenho um monte de coisas a resolver....mas é que estou com vontade de caminhar, ver se a vida preparou alguma surpresa quando eu dobrar a esquina.

Mais tarde eu volto. Coloco a loira para dormir. Ganho beijos quentes e doces, e volto pra vocês , pra quem quiser ler essas sandices...

 

 

 

:: Postado por Rosana Schiavinoto às 15h28
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Iorgutando pelo Orkut

O Natal me encontrou sem um anjo para abraçar. Meu bem estava a kilometros de distância, numa merecida férias de muitas brincadeiras com seus primos.

Eu fiquei. O computador me fazendo companhia. Os projetos empilhados do lado, as pesquisas exigindo atenção e aquela saudade doida apertando meu peito, me sufocando.

Que graça tem viver sem os beijos do meu bem? Natal sem sua risada de sinos é no mínimo...besta!

Ganhei um presente via e mail; um convite da minha sobrinha. Já era o segundo ou terceiro, e então resolvi dar uma olhada nesse  tal Orkut!

Falar de mim?

Procurar amigos?

Ambas tarefas árduas para alguém que passou os últimos anos sem falar...de si, e muito menos com alguém!!

Dedos em riste, pensamentos alertas...vazio no peito e um coração troncho.

Orkutei.

E salve....existe vida além da tela do computador!!

Na inscrição fazem perguntas...ora eu as respondi. Desse meu jeito franco, bastante prolixo (pelo que constatei depois vendo os outros perfis) e abri as portas de uma casa “virtual”. Um site!

Visitei comunidades. Passei por lugares onde com certeza entraria para conversar. Falar dos meus autores prediletos, ouvir as músicas que amo; e outras coisas mais.

Fui orkutando, adicionando e sendo adicionada. Nem sei bem como e de repente estava conhecendo gente inteligente, divertida e aberta. \Principalmente isso...gente aberta, desarmada, atenta só para a sinceridade atrás das palavras digitadas.

E pronto...ganhei o Natal. Ganhei meu aniversário; ganhei o ano Novo....ganhei novos amigos.

E pasmem...ganhei até um desafio. Alguém protestou e me provocou. Ora logo eu que adoro um desafio:

“_ Você escreve o quê???”

Pronto, bloguei também. Internet total. Estou fashion!.Antenada. Amigos e amigas mandam e mails lindos. Conversas se estendem por madrugadas adentro.

E delicia das delícias, conheci até uma  certa voz...dessas que causam frisson!

Gente! Gente que talvez nunca teria se aproximado de mim, não só pela distância física, mas também porque sou silenciosa;do tipo que não fala muito e está sempre fora do ar. Caminho pela vida distraída! Nem teria notado esses amigos todos. E mesmo cruzando com eles, dificilmente os deixaria me conhecer como aqui.

Aliás, nem quem viveu comigo por décadas conseguiu me conhecer assim. É que a essa altura da vida descobri que só sei ser escrevendo. Sabe aquela frase clichê: decifra-me?! No  eu caso é leia-me e então terá me conhecido como ninguém o fez.

Claro, aqui é só um surto verborrágico. Idéias soltas que eu começo a gostar de escrever justamente por serem assim pedacinhos de  um quebra cabeça... um puzzle de idéias e sentimentos que eu posso escrever em qualquer lugar: na beira da piscina, numa festa de criança , no banco da igreja, ma fila do supermercado...

Pedaços, retalhos..que esses amigos todos colhem aqui, na tela do computador e fazem deles o que bem entendem, colchas, mandalas, ...

Isso tudo me fez pensar nos bichinhos vivos e minúsculos que ganhei quando cheguei nessa cidade. Eram pequeninos grãozinhos leitosos que vivem no leite. Basta deixá-los lá e eles proliferam e transformam o leite num delicioso e nutritivo iorgute.

Bichinhos safos. Devem passar o dia se reproduzindo e transformando a vida

O Orkut parece esse leite onde amigos se proliferam orkutando por aí. E olhem que os dois fazem um bem danado. Minha pele ficou macia, emagreci e me sinto revigorada.

Iogurte com frutas.

Orkut com vida.

E vamos orkutar!

Pelo menos até eu ter que chafurdar de novo em pesquisas e trabalhos.

 

:: Postado por Rosana Schiavinoto às 22h05
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Iorgutando pelo Orkut

O Natal me encontrou sem um anjo para abraçar. Meu bem estava a quilometros de distância, numa merecida férias de muitas brincadeiras com seus primos.

Eu fiquei. O computador me fazendo companhia. Os projetos empilhados do lado, as pesquisas exigindo atenção e aquela saudade doida apertando meu peito, me sufocando.

Que graça tem viver sem os beijos do meu bem? Natal sem sua risada de sinos é no mínimo...besta!

Ganhei um presente via e mail; um convite da minha sobrinha. Já era o segundo ou terceiro, e então resolvi dar uma olhada nesse  tal Orkut!

Falar de mim?

Procurar amigos?

Ambas tarefas árduas para alguém que passou os últimos anos sem falar...de si, e muito menos com alguém!!

Dedos em riste, pensamentos alertas...vazio no peito e um coração troncho.

Orkutei.

E salve....existe vida além da tela do computador!!

Na inscrição fazem perguntas...ora eu as respondi. Desse meu jeito franco, bastante prolixo (pelo que constatei depois vendo os outros perfis) e abri as portas de uma casa “virtual”. Um site!

Visitei comunidades. Passei por lugares onde com certeza entraria para conversar. Falar dos meus autores prediletos, ouvir as músicas que amo; e outras coisas mais.

Fui orkutando, adicionando e sendo adicionada. Nem sei bem como e de repente estava conhecendo gente inteligente, divertida e aberta. Principalmente isso...gente aberta, desarmada, atenta só para a sinceridade atrás das palavras digitadas.

E pronto...ganhei o Natal. Ganhei meu aniversário; ganhei o ano Novo....ganhei novos amigos.

E pasmem...ganhei até um desafio. Alguém protestou e me provocou. Ora logo eu que adoro um desafio:

“_ Você escreve o quê???”

Pronto, bloguei também. Internet total. Estou fashion!.Antenada. Amigos e amigas mandam e mails lindos. Conversas se estendem por madrugadas adentro.

E delicia das delícias, conheci até uma  certa voz...dessas que causam frisson!

Gente! Gente que talvez nunca teria se aproximado de mim, não só pela distância física, mas também porque sou silenciosa;do tipo que não fala muito e está sempre fora do ar. Caminho pela vida distraída! Nem teria notado esses amigos todos. E mesmo cruzando com eles, dificilmente os deixaria me conhecer como aqui.

Aliás, nem quem viveu comigo por décadas conseguiu me conhecer assim. É que a essa altura da vida descobri que só sei ser escrevendo. Sabe aquela frase clichê: decifra-me?! No  eu caso é leia-me e então terá me conhecido como ninguém o fez.

Claro, aqui é só um surto verborrágico. Idéias soltas que eu começo a gostar de escrever justamente por serem assim pedacinhos de  um quebra cabeça... um puzzle de idéias e sentimentos que eu posso escrever em qualquer lugar: na beira da piscina, numa festa de criança , no banco da igreja, na fila do supermercado...

Pedaços, retalhos..que esses amigos todos colhem aqui, na tela do computador e fazem deles o que bem entendem, colchas, mandalas, ...

Isso tudo me fez pensar nos bichinhos vivos e minúsculos que ganhei quando cheguei nessa cidade. Eram pequeninos grãozinhos leitosos que vivem no leite. Basta deixá-los lá e eles proliferam e transformam o leite num delicioso e nutritivo iorgute.

Bichinhos safos. Devem passar o dia se reproduzindo e transformando a vida

O Orkut parece esse leite onde amigos se proliferam orkutando por aí. E olhem que os dois fazem um bem danado. Minha pele ficou macia, emagreci e me sinto revigorada.

Iogurte com frutas.

Orkut com vida.

E vamos orkutar!

Pelo menos até eu ter que chafurdar de novo em pesquisas e trabalhos.

 

:: Postado por Rosana Schiavinoto às 22h05
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Belo,belo,belo

Manuel Bandeira:

 Belo belo belo,

Tenho tudo quanto quero.

 Tenho o fogo de constelações extintas há milênios.

E o risco brevíssimo — que foi? passou — de tantas estrelas cadentes.

 A aurora apaga-se, E eu guardo as mais puras lágrimas da aurora. O dia vem, e dia adentro

Continuo a possuir o segredo grande da noite.

Belo belo belo, Tenho tudo quanto quero.

Não quero o êxtase nem os tormentos. Não quero o que a terra só dá com trabalho.

As dádivas dos anjos são inaproveitáveis:

 Os anjos não compreendem os homens.

Não quero amar, Não quero ser amado. Não quero combater, Não quero ser soldado.

— Quero a delícia de poder sentir as coisas mais simples.

:: Postado por Rosana Schiavinoto às 20h53
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Deus é fabuloso!

Estava distraída olhando o horizonte quando um raio incrível rasgou o céu. Dois segundos depois o estrondo e a chuva caiu intrépida, lavando mais uma vez Ribeirão que vai acabar ficando cinza desbotado de tanta chuva.

Torrencial, a chuva caiu ininterrupta por mais de meia hora. Raios e trovões. Bueiros entupidos.Os rios transbordando mais uma vez. Tampas sólidas de bueiros saltavam no meio das ruas expulsas pela fúria das águas subterrâneas que afloravam do chão como “geisers”.

Uma espetacular demonstração de força.

Mais tarde soube o que aconteceu em vários outros pontos da cidade. Avenidas interditadas. Lojas inundadas...prejuízos e assombros.

A cidade em alerta. Mais um estado de calamidade?

E os buracos brotando no chão.

Dia desses um carro quase me atropelou na calçada tentando se desviar de um buraco.

Muito absurdo isso.

No entanto...não deixo de ficar atônita com a beleza dessas tempestades. Raios riscando o céu, um véu de água se estendendo por kilometros sobre a cidade encharcada. Trágico sim...mas lindo!

 

06 de Fevereiro de 2005

 

:: Postado por Rosana Schiavinoto às 20h35
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Festa de criança

Eu me embriagando de refrigerantes enquanto ouço adultos cantando com voz de criança.

Meu sobrinho, o aniversariante, se escondendo da “câmera woman”, se enfia debaixo das mesas.

Lá fora a chuva continua lavando o mundo.

Sorte que o garçom me arranjou uma caneta e um pacote de guardanapos. Pronto! Que o céu caia,; que o Léo vire as mesas; que as crianças se entupam de guloseimas e dancem pelo salão seus coloridos passos;

Eu busco companhia nas palavras. Thaís está por aí, brincando e se divertindo. Não precisa mais de mim ciceronando-a por esses eventos. Acho que essa é a primeira vez em que me dou conta de que preciso fazer um programa decente de adulto.

Dias atrás estava com tempo e liberdade nas mãos quando um amigo me convidou para juntar-me aos seus amigos. E por que não? Pensei... Conversa e muitos sucos depois, percebi que estava de costas para o movimento do bar. Além de distraída, estou destreinada. Esqueci que as pessoas saem também para se divertir, conhecer outras pessoas ou pelo menos para ver o que acontece no mundo.

Protestei. E só então eles explicaram que aquele era um bar gay e ficaram com receio de me chocarem. Bobagem! Eu nem teria notado se não tivessem dito. Cada um sabe de si. Sou muito desencanada com essas coisas; partidária do viva e deixe viver. A conversa estava boa, inteligente e divertida. E isso basta.!

Difícil deve ser sair com o intuito de conhecer pessoas e etc e tal. Sair com expectativas deve ser no mínimo frustrante. Não penso nisso, mas confesso que gostaria de sair mais vezes, trocar idéias e experiências com gente inteligente e espirituosa.

Como é que se faz isso mesmo?

E será que tenho paciência?

Nunca gostei de bares, tumultos, baladas... devo ter ficado pior!! Mas será que ainda há algum lugar com boa música e gente descontraída???

.........

Pausa na caneta.

Circulo pela festa para parecer normal. Sento numa mesa e converso um pouco.Roubo mais guardanapos.

Escrevo! E lá vem a mulher com a câmera em punho. Não é á toa que Léo se esconde dela. Ela taca a luz na minha cara e passa minutos me filmando a escrever até que desisto e olho para ela. Pronto. Satisfeita por me interromper ela sai para  perturbar outras pessoas.

Outra pausa. Outro giro pelo lugar. Ganho beijos salgados, melecados...Léo comemora seus três anos esbanjando vivacidade. Ele e as outras crianças andam em bandos, ou melhor em cardumes, peixinhos coloridos. Crianças são tão deliciosas

:: Postado por Rosana Schiavinoto às 20h16
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Visão turva

 

Escrevo e de repente elas chegam, estrelinhas de cor a dançar nos meus olhos. Elas vem devagar, como pequeninas luzes a piruetar nos meus lhos e só quando começam a rodar  diante das letras é que percebo mais uma enxaqueca a atrapalhar meu trabalho. E elas ficam aqui, turvando minha visão, brilhando, traçando auras nas  imagens, rodopiando vertiginiosamente, me deixando cada vez mais tonta e enjoada. Escrevo como agora, piscando para poder enxergar, até que tudo acaba se tornando um borrão e já nem ver mais nada, exceto essas esse estrelado rascunho.

Hora de fazer uma pausa....fechar os olhos e pedir silêncio para minha mente.... ora de não pensar até que as estrelas se dissolvam diante dos meus olhos e então eu possa voltar a pensar e ver o que estou escrevendo.

Interrupções estreladas....enjoadinha pausa  forçada, que me obriga a relaxar.

 

:: Postado por Rosana Schiavinoto às 19h16
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